Aventura pra todos os gostos
por Mateus em 19 Aug 08 às 13:31
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O diplomata sertanejo
Aqueles que gostam de se enveredar por grandes paisagens imaginárias, travar diálogos amistosos com pacatos personagens literários e passar boas horas na companhia de um livro, terão em “Grande Sertão: Veredas”, fiel companheiro. Suas 624 páginas devem ser apreciadas como bebida boa: devagar e com moderação.
Se a leitura pode assustar no começo, é mais porque o livro é uma revolução na linguagem, tecido como poema-proseado (ou romance-poetizado), do que por ser difícil (ou, muito menos, ruim). Riobaldo, sintetizando a obra do mestre, já avisa que “viver é muito perigoso“. Começar a ler este livro é um dos perigos prazerosos que talvez só se equipare a começar uma grande viagem – ou travessia, como preferia Guimarães Rosa – ou a viver um grande amor.
Praqueles que preferem “botar o pé na estrada” (os super-tramps), a idéia de partir em busca dos roteiros descritos em “Grande Sertão: Veredas” também pode gerar entusiasmo (veja abaixo algumas opções). O Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte de Minas Gerais, próximo ao município de Chapada Gaúcha, foi criado em 1989. Hoje, são 230.000 hectares, abrigando a maior porção de Cerrado brasileiro protegido do mundo!
João Guimarães Rosa, homenageado no nome do parque, não recebe o título à toa. Tendo nascido na pequena cidade de Cordisburgo, perto de Belo Horizonte, decidiu sem embrenhar nos campos e sertões, na década de 50, depois de ter visitado os quatro cantos do mundo – o escritor era médico, diplomata e poliglota. Foram 45 dias em lombo de mula, sempre acompanhado de seu indefectível chapéu de palha, anotando muitas das idéias que veríamos brilhantemente descritas em sua obra clássica.
Aqui no Planalto, temos motivos de sobra pra entrar no clima do Grande Sertão. Seja pra começar a ler o romance, seja pra dar partida no carro e desbravar as Veredas. O sertão, os buritis, os sertanejos, o céu infinito, o cerrado: tudo está a nossa volta. Mas, como diz Rosa, o sertão também “é dentro da gente“.
Toadas de um velho Sertão:
- “Deus é paciência”
- “Toda saudade é uma espécie de velhice”
- “Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver”
- “Viver é um descuido prosseguido”
- “Vingar, digo ao senhor: é lamber, frio, o que o outro cozinhou quente demais”
- “Quem desconfia, fica sábio”
- “Para as coisas que há de pior, a gente não alcança fechar as portas”
- “Amor só mente para dizer maior verdade”
- “Sossego traz desejos”
- “Paciência de velho tem muito valor”
Utilidade Pública:
Grande sertão: Veredas – Edição especial
João Guimarães Rosa
Editora: Nova Fronteira
ISBN: 9788520920169
Preço Sugerido: R$ 39,90 (Submarino)
Número de páginas: 624
Em comemoração aos 50 anos da obra, completados em 2006, a Nova Fronteira lança uma nova edição. Junto com o livro, numa caixa, vem também o catálogo da instalação de Bia Lessa que esteve em cartaz no Museu da Língua Portuguesa na Estação da Luz, em São Paulo. No catálogo temos: todo o roteiro das cinco trilhas propostas por Bia, a partir da obra de Rosa – as trilhas de Riobaldo, Diadorim, do Diabo, do Senhor e da crítica -, para que nos aproximemos do livro.
Roteiros Turísticos:
- Cia Ecoturismo = Grande Sertão Veredas – MG – 7 dias
- Webventure = Nos caminhos do Grande Sertão Veredas – 12 dias
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