30 países em 8 meses: Marrocos
por Diogo André em 14 Apr 09 às 09:55
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Chris viajou pela África nos anos de 2005 e 2006, percorrendo 30 países em 8 meses a bordo de um caminhão modificado. Abaixo, o relato sobre o primeiro país que visitou, Marrocos.
Depois de uma breve parada em Gibraltar e Espanha para alguns últimos ‘luxos’, nos dirigimos para Ceuta, uma enclave Espanhola na costa Marroquina, distante 35 minutos de balsa (então não muito distante – suficiente para um túnel no futuro). Aquele era um lugar bem pouco interessante. Parece que lá fica uma grande prisão para africanos que tentam entrar no território da UE. Então, veio uma caótica passagem pela fronteira, e estávamos finalmente em Marrocos!
Fomos recebidos por boas vindas impressionantes – todos colocaram suas cabeças para fora do teto e das janelas do caminhão, e parecia que quase todos do lado de fora acenavam para nós de uma maneira genuinamente amigável. Eu não estava certo se era porque nós parecíamos tão estúpidos em nosso grande caminhão amarelo brilhante, mas agora estou convencido de que os marroquinos são um povo caloroso e amigável. Em toda parte que nós estivemos fomos cumprimentados por sorrisos, olás e pessoas dispostas a conversar por um momento (exceto nas cidades mais turísticas). Na primeira noite, nós acampamos ao lado da o reservatório (NT. de água) e então os chefes exército e polícia locais juntaram-se a nós para um batuque (e no caso do policial, para fumar haxixe!).
Talvez a pessoa que a mais impressionante que eu conheci foi um cara chamado Faddil, na parte não-turística de Casablanca. Conhecemos Faddil vendendo peixe em medina (a antiga cidade murada) com quem batemos um papo (comigo traduzindo como sempre – único no caminhão que sabe falar francês). Ele se ofereceu para fazer um tour conosco. Isso normalmente quer dizer que alguém quer ilegalmente ser um guia, e exige um pagamento no final. De qualquer forma, éramos 5, ele era apenas 1, sentimos que deveríamos falar sim neste caso. Ele deu uma volta conosco, o que atraiu 1.001 olhares dos locais que não estão acostumados a ver pessoas brancas na medida, especialmente garotas com alguma pele aparecendo.
A parte mais interessante foi quando ele disse que ‘não teme nada e a ninguém exceto Deus’ e perguntando se nós também sentíamos a mesma coisa. Todos nós dissemos não, para o seu espanto. Acabamos indo almoçar em sua casa, preparado por sua mãe, e conversado sobre o Islam durante horas.
Pelo estereótipo, ele era um jovem desleixado, mas era na verdade homem profundamente religioso e de bom coração. Talvez mais fascinantes sejam suas incontáveis tentativas de chegar a Europa. Ele já se escondeu em navios tantas vezes que nem consegue se lembrar quantas vezes tentou escapar de Marrocos. Ele se esconde nesses navios há 11 anos, e já tentou passar através Ceuta e depois em barcos para a Espanha 5 vezes usando identidades e passaportes Franceses falsos. Todas as tentativas falharam exceto 3. Uma vez ele foi deportado da Bélgica, uma vez da França e outra de Humberside no Reino Unido. E ele orgulhosamente carrega os papéis de deportação para provar. Todas as vezes ele diz ter chegado com nada exceto água e as roupas que ele vestia, e ainda sim as pessoas eram generosas para ajudá-lo quando ele mendigava – ele acredita que isso é porque Deus faz as pessoas tomarem conta dele. Em outra ocasião, ele foi retirado da água por Fuzileiros Americanos quando se escondia atrás do navio em um pequeno barco, enquanto se aproximava de um outro navio em que iria se esconder. Em ainda outra ocasião, ele pulou no mar para escapar de um capitão que carregava um taco de baseball. Nadou por 3 horas, ele diz, seus dois amigos que permaneceram no barco perderam a audição em um dos ouvidos. Sem entrar em detalhes, a vida é bem difícil para um ‘fugitivo’ e nós realmente queríamos entender porque ele queria sair de Marrocos e entrar na Europa – a resposta pareceu bastante simples – para ter uma vida :-S Eu não tenho duvidas de que é possível viver feliz (o objetivo da vida, de qualquer forma) em Marrocos, mas ele parecia convencido do contrário.
Depois de 5 das nossas 9 horas com Faddil, nós pedimos para ele nos levar até a entrada da Grande Mesquita de Casablanca na 4º oração. Ele prontamente nos atendeu, mas foi seguido pela polícia para dentro da mesquita durante a oração, que o agarrou quando ele se saia para se juntar a nós do lado de fora. Eles suspeitaram que ele estivesse atuando com um falso guia, pediram um dinheiro a ele e então o deixaram ir, proibindo Faddil de chegar perto de nós, pessoas brancas, novamente.
Nós fomos para longe, imaginando que isso iria ajudar, mas quando vimos a van da polícia indo embora e nem sinal de Faddil, fomos até lá e perguntamos onde estava o nosso AMIGO. Despachado naquela direção foi a resposta – a polícia, não acreditando que ele realmente era nosso amigo, foi atrás dele e disso que ele ainda poderia nos ver, mas ainda queria o dinheiro dele (para o bolso deles. Ser falso guia no Marrocos dá prisão, mas eles não tinham evidências para prendê-lo). Nós andamos naquela direção e ele chamou um táxi – voltamos para o nosso acampamento para o jantar.
Não menos amigáveis foram as outras pessoas que conhecemos, apenas menos loucas! De forma geral, Marroquinos tem uma péssima imagem. Na França, imigrantes Marroquinos são sujeitados a racismos horrendos e foram efetivamente chamados de escória recentemente por Sarkozy, o Ministro do Interior Francês em resposta aos distúrbios em Paris. Nos Países Baixos também, a imagem dos imigrantes Marroquinos está no fundo do poço, devido a um Holândes descendente de Marroquinos ter assassinado uma celebridade 12 meses atrás em uma Rua de Amsterdã, em resposta a suas muito divulgadas visões sobre o Islã. Turistas Ingleses e Alemães geralmente reclamam que os Marroquinos perturbam muito as pessoas quando visitando o Marrocos. Tendo conhecido muito do Marrocos, eu entendo esse julgamento, mas acredito ser a exceção ao invés da regra. Enquanto estamos evitando a cidade praiana de Agadir, passamos dois dias na cidade turística de Marrakesh onde a perturbação é um grande problema nos lugares onde com muitos turistas e na entrada do soukh (mercado), mas uma vez nas entranhas do soukh e nas ruas que estão livres de turistas, a imagem geral das pessoas é totalmente diferente – ao invés do especialista em vendas tentando fazer com que comprássemos alguma coisa que nunca quisemos, encontramos apenas sorrisos, pessoas dando boas vindas e querendo conversar. As pessoas foram mais amigáveis em lugares onde turistas são raros. Marroquinos acreditam que turistas são uma dádiva de Allah. Eu posso apenas chutar que em grandes números, turistas habitualmente visitando… (texto original faltando).
Então, onde eu estive?
Chefchaouen – O 1º lugar que nós visitamos. Uma pequena cidade em um amplo vale, proporcionando um visual atraente. As casas azuis e brancas adicionam muito ao lugar, que consiste quase que totalmente de ruas estreitas. Doce e encantadora, com poucos turistas.
Volubilis – Ruínas Romanas completas com bordel e tudo, e você pode imaginar que símbolo os Romanos devem ter decidido deixar gravado em pedra aqui.
Casablanca – Cidade de 5 milhões de pessoas, e a capital de negócios de uma Marrocos de rápido desenvolvimento. Lugar bastante caótico entretanto. Como todo lugar em Marrocos, você precisa dar preferência as pessoas entrando em uma rotatória, o que cria muitos engarrafamentos com carros presos em rotatórias. É razoavelmente desinteressante para turistas, mas para mim é um dos destaques da viagem até agora, principalmente por razões que já escrevi. A cidade abriga o terceiro maior monumento religioso do mundo – A mesquita Grand Hassan II. A mesquita pode abrigar 20.000 pessoas, se lembro corretamente.
Rabat- A capital. Tem um sabor francês, dado ao fato dela ter sido construída como um centro administrativo para os colonizadores Franceses. Tem um toque árabe porém, que a torna distinta. Aqui, conheci um cara chamado Ghassan, que me mostrou a parte moderna da cidade e o palácio real, e puxa, como é grandioso! O Rei, Mohammed VI, está com seus 30 anos e é dono de um Surf Club da moda no litoral. Dos muitos retratos dele, alguns o mostram em um Jet-ski e coisas do tipo. Ele é poderoso, pode mudar as decisões de governo se ele quiser. No 50 aniversário da independência, umas semana atrás (18 de Novembro), ele libertou centenas de prisioneiros para celebrar.
Fes – O coração cultural de Marrocos. A incrível Medina se destaca em minha mente. Ela tem 9500 ruas pequenas e estreitas, tornando praticamente impossível sair de lá. Fora da Medina, os locais de tingimento de couro são incrivelmente legais. Muitas bacias grandes de tinta onde as pessoas mergulham o couro. Difícil de descrever, mas o cheiro é horrivel! Aqui conheci dois caras de Congo-Kinshasa (R.D. Congo), Yannick e Teddy, que fizeram uma comida Congolesa para a gente. Eles pediram desculpas pela falta da especialidade Congolesa, já que não conseguiram comprar carne de crocodilo ou de macaco.
Garganta Todra nas montanhas Atlas – um desfiladeiro! Fizemos um trekking de 40km em um dia, o que não cansou tanto quanto o esperado. Foi um lugar incrivelmente legal que gostei muito. Talvez a coisa mais impressionante tenha sido o silêncio total. Silêncio ensurdecedor não é comum. Estar em um lugar tão grande, com paredes tão altas torna o isolamento e o silêncio ainda mais marcantes. Dois outros do meu grupo que caminharam juntos tomaram chá na tenda de um nômade. As únicas pessoas com quem encontramos eram os estranhos nômades caminhando com suas cabras.
Fora da garganta, as montanhas são muito impressionantes. Muito visual que é difícil de capturar com uma câmera, e que deveria fazer parte algum um filme.
Marrakesh – O ‘coração pulsante’ de Marrocos, com uma grande praça central onde os turistas se agrupam. Existem encantadores de serpentes e artistas de rua durante todo o dia, e uma grande área de mini-restaurantes abre a noite com uma comida boa e barata. Meu companheiro de barraca, Chris, dividiu uma cabeça de carneiro com o alemão do grupo, Andreas – língua, olhos, orelhas e tudo mais!
A atmosfera é especial e ganhou lugar em minha memória. A aporrinhação dos vendedores pode ser um saco, mas um firme – não obrigado – em um idioma diferente daquele que falaram para você, parece ter resultado enquanto se continua andando.
Agora estou em Essaouria, uma cidade litorânea que é pequena, mas igual a qualquer cidade Marroquina; cheia de pessoas e com ruas vivas ao invés de mortas como 99% das ruas britânicas que parecem ser apenas para ‘tráfego’. Existe um pequeno número de turistas, mas não o suficiente para ocupar mais do que uma fração da praia. O mais impressionante é o porto pesqueiro. Eu vou dar um pulo no leilão de peixes quando acabar este email.
Amanhã vamos em direção ao Sahara Ocidental, parte de Marrocos desde 1975 quando o regime de Franco na Espanha acabou e essa colônia foi tomada por Marrocos. É ligeiramente maior que o Reino Unido em termos de área, e tem apenas 250.000 pessoas. É um território em disputa, já que a Algeria gostaria de ter acesso ao Oceano Atlântico, e algumas das pessoas vivendo lá gostariam de ter seu próprio governo, entretanto, não há conflito, apenas uma encenação perto da fronteira com a Algeria, depois disso, vêm a Mauritânia
Love
Chris
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