Viagem ao Xingu – Sorrindo tá tudo valendo
por Diogo André em 19 Apr 09 às 16:07
4 Comentários / Arquivado em: Relatos, Viagens
Ano passado recebi um e-mail da Renata, ela convidava para uma viagem ao Parque Nacional do Xingu. O detalhe era que ela já havia feito a viagem e junto com o convite para uma segunda viagem, ela enviava um relato das três semanas que passou no Xingu. Em homenagem ao Dia do Índio publicamos o seu relato no formato original. Aproveitem!
Por Renata Florentino
Gente, descobri o paraíso tropical de que o Vaz de Caminha tanto falou…
Voltei dele bronzeadíssima, pintada de jenipapo, 4 quilos mais magra, e, claro, com bicho de pé e mil lombrigas… hehehe
…
Saindo de Brasília, para passar tranquilamente +/- 15-20 dias no Xingu, gasta-se R$1.200,00 incluindo absolutamente TUDO, até o pastel de queijo que se come na rodoviária antes de entrar no ônibus e a compra de uma escova de dentes nova – já que você esqueceu a velha em casa.
A viagem é uma espécie de safári nacional, com direito a jacarés, veadinhos, emas, gafanhotos gigantes, sucuri… Tudo! Uma aventura no estilo Indiana Jones, sem dúvida!
Tudo que podia dar errado em termos de logística deu! Na ida, carros explodiram, carros atolaram, motor de barco pifou, o barqueiro se perdeu a noite (e era o Maricá, filho do Tabata da Yawalapiti!). O horário previsto pra nossa chegada era ao meio dia, 14 horas se desse algum imprevisto. Chegamos às 20:30!!! Isso que saímos de Canarana às 5 da matina.
Em tese a FUNAI tinha que autorizar por escrito qualquer pessoa a entrar, mas tem avião pousando direto lá com gente, na maior tranqüilidade. Todo mundo que eu conheci tava de "imigrante ilegal" lá dentro. Eu inclusive… E ainda pegava carona com os caminhões da FUNAI, para ir de uma aldeia a outra…
E a água é quente!!!! Tanto dos rios como das lagoas! Não senti falta de chuveiro elétrico em nenhum momento, e olha que adoro tomar banho estilo sauna… a água de lá é deliciosamente quente. Na aldeia kamayurá – que é pra onde quero voltar – tem gerador de energia a diesel, daí tem chuveiro elétrico. Mesmo tendo disponível, esqueci completamente que isso existia.
O que faz falta mesmo é vaso sanitário. Não é de frescura não. Mas cagar no mato é realmente difícil, ainda mais na tensão de subitamente aparecer alguém ou algo do seu lado… De repente, todo mundo ficou de fiofó travado! Em 17 dias de viagem, ninguém fez mais do que 6 ô-ôs. Por um lado isso torna a viagem mais prática, pq aí você percebe que pode pegar quantos germes existirem que você não vai ter disenteria. Dá pra beber água do rio sem se importar com xixis, escarros, cuspes, sêmen, etc. Claro que tem o risco de virar uma noite vomitando (aconteceu comigo), mas o corpo se adapta rapidinho.
Tinham que ver meu deslumbre com a estrutura da oca, é só pauzinho com cipó, não tem um preguinho sequer, e ela agüenta mais de 80 redes balançando sem vc ouvir um "nhéc" de madeira rangendo. E parece que quanto mais vento a oca toma, mais ela se firma, sabe? É como se fosse ajudando os pauzinhos a se encaixar ainda melhor. E tem saída de fumaça lá no teto! Sem que por isso entre água quando chove, muito bem bolado. E a durabilidade dessas construções! Sem precisar reformar um azulejo quebrado sequer! Claro que nem tudo é perfeito, então vocês podem ver abaixo que na aldeia também existe favela (eles mesmo me disseram que é lá que mora o Zé Pequeno!), com uma casinha feita de telhado atrás de uma oca. Tem que ver como é estar do lado de fora e entrar no breu interno, você fica tontinho e cegueta! Tem as manhas para andar lá dentro sem tropeçar em nada…
Em termos de cuidados pessoais, pessoas de pressão baixa DEVEM trazer sal e alguns aperitivos. A comida da aldeia é maravilhosa para quem sofre de pressão alta, mas é um veneno para quem tem pressão baixa (meu caso, ainda acentuado pela perda de peso). Tonturas, desequlíbrios, etc são muito freqüentes. Os índios fazem um sal a partir da planta aguapé, secando as folhas, queimando e coando. Ele é delicioso, dissolve na boca que é uma coisa, às vezes também o misturam com pimenta. Super orgânico e recomendável para quem tem pressão alta (a UNESP fez estudos sobre ele), mas pra quem tem pressão baixa não adianta, tem que
levar o sal de supermercado mesmo.
O relato completo tem seis páginas e muitas imagens. Para todo o conteúdo, no formato original enviado pela Renata, não deixe de ver o Relato em PDF.
Veja mais imagens no Orkut da Renata.
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7:25 pm on April 19th, 2009
HAHAHAHA!!
A cada vez que leio, surge uma nova risada!
Que bom ver o relato finalmente publicado!
Valeu Diogo!
Valeu Renata! Que venham mais aventuras…
11:35 pm on September 21st, 2009
Renata, deixei um recado para você no orkut!
Sou de São Paulo, e gostaria de informações sobre como você foi para o Xingu.
Com faço para entrar em contato?
Um abraço,
Cadu
1:42 pm on February 21st, 2010
O Tabata não é Yawalapiti, é Kuikuro.
mas de qualquer forma tenho uma invejinha boa de vc Renata, gostaria muito de fazer essa viagem. É um sonho de infância.
Flávia
4:43 pm on February 21st, 2010
Olá Flávia!
Valeu pela correção…
E se um dia resolver realizar seu sonho de infância, escreve pra gente contando! Teremos prazer em publicar seu relato.
Boas aventuras,
Mateus