A Ilha
por Mateus em 7 May 09 às 11:07
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Ilha de Inhaca
O último post da série LuizLog foi “Na estrada com Langutane“. Se você quer ver todos os posts da série, clique aqui.
Todos nós sabemos que há muitos paraísos perdidos na África. Embora tenhamos, talvez, certo receio em nos aventurarmos pra lá, é sempre bom conferir os relatos de quem achou algum desses paraísos pra explorar e nos contar… E o Luiz achou um dos bons, viu?
Quando criança, era viciado em um vídeo-game chamado Super Mario Kart, da Nintendo®. Nele havia um circuito de corridas, Koopa Beach, que era uma espécie de mini-arquipélago, onde os carros passavam por bancos de areia e filetes de água (clique aqui pra ver uma mostra). Eu imaginava que lugar assim não existia… até que conheci a Ilha da Inhaca, um verdadeiro paraíso!

A bordo do Nyelete
Para chegar lá, pode-se tomar um barco, o Nyelete, que sai três vezes por semana e faz o trajeto em quatro horas. Ou pode-se optar por um pequeno avião que, duas vezes por semana e dez vezes mais caro, te deixa lá em sete minutos de vôo. Essa limitada oferta de transporte é um importante segredo de sua preservação.
A Ilha se resume a três pequenas aldeias (Ingwane, Ribjene e Nhaquene), três escolas, um humilde centro comercial, um posto de saúde, uma base policial e um farol. Apenas alguns lugares possuem energia elétrica. São somente três carros: um do hotel, um do governo e um prestador de serviços, que cobra bem caro. O turismo é relativamente intenso, com dois hotéis, dois restaurantes, um camping, passeios de barco, pesca esportiva e mergulho livre.
Uma minoria da população trabalha em serviços públicos ou com turismo, pois a maioria das mulheres vive da agricultura de subsistência, e os homens da pesca. Os jovens, quando terminam o ensino médio, muitas vezes precisam sair da ilha, se não conseguirem um desses poucos empregos. O que é sempre uma pena.
Boa parte da população está lá há gerações e carregam a ilha no nome. Por exemplo: Paulo José da Nhaca. É comum os nativos apontarem para uma palmeira e dizerem orgulhosos: “essa fui eu mesmo quem plantou”.
A paisagem é uma exuberante combinação de vegetação nativa, trilhas, dunas e água quente e limpa. A maré baixa revela um maravilhoso espetáculo. O recuo da água é muito extenso, deixando dezenas de barcos “encalhados” por algumas horas (veja primeira foto), quando os flamingos pousam para comer pequenos crustáceos. Com a maré alta a ilha fica dividida em três pedaços, mas com a maré baixa os bancos de areia se revelam e conectam todas as partes. Em uma hora é possível chegar a todos os extremos de bicicleta ou de carro. Na outra, você pode acabar ilhado em uma minúscula porção de terra. Incrível… como Koopa Beach.
Estive lá por três vezes, para fazer visitas técnicas e coordenar um importante curso para voluntários. Quando fiquei no hotel, tomava banho em chuveiro de água desalinizada. Quando fiquei na pousada, as empregadas buscavam água doce em um poço, carregando baldes na cabeça e os enchiam num grande tonel que havia no banheiro. Dez dias tomando banho de caneca, comendo peixe, ouvindo rádio, contemplando estrelas e fazendo muito trabalho.
Assim como na Suíça, fui embora com alguns lugares aos quais gostaria de retornar e com coisas que ainda não fiz na minha cabeça. Por exemplo, tive a idéia de fazer uma jornada a pé ao redor da Ilha, de maré em maré. Um dia quem sabe?!
(Luiz)
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