Pailon del Diablo
por Diogo André em 27 Sep 09 às 10:15
1 Comentário / Arquivado em: Relatos
Esse é o último relato da Carla, que passou um mês viajando entre o Equador e o Peru. Aqui, acompanhamos uma aventura até o Caldeirão do Diabo!
No meu último relato falei do quanto era difícil sentar na frente do computador durante a viagem para contar a vocês minhas aventuras, mas driblar a correria de trabalhos e universidade tem sido absolutamente mais complicado!
Hoje faz exatamente um mês que cheguei em Brasília depois da minha viagem Equador/Peru… Voltar de viagem pra mim é sempre um pouco sofrido. Ter de me adaptar a rotina novamente, acalmar a vontade louca de continuar viajando. Mas foi ótimo chegar aqui e tomar um banho de boa música brasileira (perfeito para tirar um mês de salsa-a-todos-os-instantes do meu sistema!): uns forrózinhos bons, coco, samba,maracatu… hum! Delícia!
Compartilho com vocês um relato que escrevi ainda durante a viagem, em Baños, Equador. Se for pra falar de aventura, essa com certeza foi a maior aventura para mim durante essa viagem… Superação total! Fomos de bicicleta até o Pailon del Diablo (Caldeirão do Diabo). De BICICLETA! 20 km!
Andar de bicicleta já é um desafio enorme pra mim (depois de uma queda feia a mil anos atrás ainda estou, aos poucos, perdendo o medo de subir na bicicleta, de parar, de fazer curva, de descer do meio-fio…). Andar de bicicleta numa serra cheia de muitas descidas, na estrada, junto com carros, ônibus e caminhões, atravessando túneis escuros é superar muitos medos de uma só vez!
Fomos eu, Julia, Elisa e Phillip (suíço que conhecemos no albergue que estávamos em Baños). Alugamos nossas bicicletas (5 dólares cada) em uma das milhares de agências que existem nessa pequenina cidade – com elas você pode fazer rafting, bungee jumping, ver supostas erupções dos vulcões ao redor da cidade e ainda receber informações gratuitas como garante a placa de Free Information!
Bicicletas prontas, capacetes na cabeça, respiro fundo e vamos !! O caminho é bem bonito, com cachoeiras e paisagens lindas. Descer ladeiras com vento no rosto, só você na estrada… que sensação de liberdade! Mas de repente… um caminhão te ultrapassa e, ao mesmo tempo, um ônibus ultrapassa o caminhão e você disputando espaço com esses gigantes. Que medo! Coitados do guidão e dos freios da minha bicicleta… acho que eles nunca foram tão apertados na vida aventureira deles!
Sobrevivi! Chegando no Pailon del Diablo, encontrei ótimas recompensas. Deixamos nossas bicicletas acorrentadas e descemos uma trilha um pouco movimentada de turistas. Alguns minutinhos caminhando, chegamos numa ponte suspensa em frente a uma cascata gigantesca. Ficar ali por alguns bons minutos olhando pra força daquela queda d’água que não para nem por um segundo foi inspirador. Só o silêncio do barulho da água!
Ali, sentados numa pedra, uns dormindo, outros viajando em pensamentos, conhecemos Peder, norueguês. Tática de aproximação adotada por ele: oferecer Oreos (biscoito igual Negresco). Mesmo que os Oreos tenham sido recusados, a aproximação foi bem-sucedida!
Fomos todos para os Balcones, onde podemos ver a cascata bem de perto e, quem quiser realmente se molhar, um dos balcones fica atrás da cascata. Absolutamente poderoso! … muita força ali… na sua frente, passando por cima da sua cabeça. Depois de lh, Peder voltou para Baños com aquela motinho de 4 rodas que não sei como chama (há várias opções de meio de transporte para chegar até o Pailon) e nós pegamos, ou melhor, pagamos uma carona (por U$1,50) na caçamba de um caminhão para voltarmos. Banquinho de madeira solto, muitos buracos, túneis de escuridão total e chegamos em Baños.
E, depois de um bom banho, mais uma noitada internacional: jantar e barzinho com uma canadense, um suíço, dois austríacos, uma australiana, um norueguês e uma holandesa. Engraçado perceber diferenças culturais que muitas vezes parecem estereótipos, mas que outras vezes fazem bastante sentido.
Em Quito, também tivemos uma noitada internacional com dois brasileiros, um chileno, uma espanhola, um suíço que estava morando no Brasil, uma canadense e uma holandesa. O sangue latino e seu fervor prevaleceram nessa mesa. Todo mundo rindo, um papo mais descontraído. Na outra mesa, em Baños, onde prevaleceu a postura européia, a conversa era mais séria, sem muitas brincadeiras. Mas… com algumas cervejas e boa música todos ficam igualmente divertidos e a farra é equatoriana!
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Esse relato começou a ser escrito no dia 15/07 no terraço do albergue Plantas y Blanco (recomendo!), em Baños, e terminou no dia 19/07 em algum lugar de Cuenca.
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11:45 am on September 29th, 2009
Carlinha, seu relato é incrível! Dá vontade de colocar a mochila nas costas e sair correndo pro peru e equador!
Fantastica viagem!