Coisa de Mulungo
por Mateus em 24 Nov 09 às 16:31
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Futebol em Moçambique
Achávamos que a série Luiz Log havia terminado no último post, intitulado “Coisa de Mulandi” – não porque os relatos houvessem acabado ali, mas porque a história estava mesmo incompleta, aguardando um tempo mais tranqüilo na agenda do Luiz para que ele continuasse as memórias. Mas não é que acabamos de descobrir mais um relato, perdido entre restos arqueológicos de O Aventureiro? Leia mais esse achado do aventureiro que estava entre a savana e os alpes…
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Aí chegam os mulungos para bagunçar o coreto. Isso mesmo: em Moçambique eu sou muLungo, e os negros são mulandi. Isso em changana (”dialeto” local), pois em muitos outros países se diz muZungo. E tem muita coisa de mulungo por lá…
Na TV temos a RTP África, uma emissora portuguesa exclusiva para os países luso-africanos, que tem um excelente noticiário. No outro canal, as novelas da Rede Globo passam também às 20h e com apenas alguns meses de atraso. E tem ainda um canal onde são reproduzidos programas do Canal Futura, geralmente com a Regina Casé como apresentadora.
Mais além, uma das principais emissoras é a Rede Miramar, que nada mais é que a filial da Rede Record na África, com suas novelinhas, missas e com o Boris Casoy. Quando estava em Uganda, liguei a TV e passava um jogo do campeonato catarinense de futebol, Criciúma vs. Figueirense, narrado em português. Não fazia nenhum sentido!
Em Moçambique, ex-colônia portuguesa, o futebol é certamente um ícone de assimilação cultural. Jogadores como Cristiano Ronaldo, Deco e Ronaldinho são quase divindades. No final do ano, os Mambas, como eles chamam a seleção nacional, passaram para a segunda etapa das eliminatórias da Copa e o país entrou em êxtase. Já em Uganda, ex-colônia britânica, Cricket e Rugby são muito populares, e a equipe nacional tem boas performances.
E essa influência branca pode ser sentida em questões mais sensíveis da vida: a inflação causada por variações cambiais, a burocracia estatal e o porte excessivo de armas são imposições, introduções e importações típicas de mulungu. As propagandas cheias de glamour que incitam o consumo viciante de cigarros, bebidas e telefones celulares são um bom exemplo de que a globalização de fato democratiza tudo, até mesmo as porcarias.
E o HIV é outra das clássicas “criações” de brancos no continente.
De tudo, no entanto, o que mais me chocou foram as inúmeras construções da Igreja Universal do Reino de Deus (na foto ao lado, em Maputo). Pois é, está decretado o fim do mundo, também para eles…
(Luiz)
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