Praia Cassange, Marauai - Ba.  Foto de Tereza Pires

Aventuras na Real – parte 2

por Mateus em 22 Feb 10 às 08:30

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Mapa do Caminho dos Diamantes

Mapa do Caminho dos Diamantes

O primeiro dia da viagem foi praticamente de deslocamento, a partir de Brasília, até o início da Estrada Real (na verdade, o “marco zero” da Estrada Real não fica em Dimantina, como poderíamos supor, mas num pequeno trecho entre São João del-Rei e Tiradentes. Mas isso será assunto para um próximo relato). Assim, na manhã do dia 26/12 realmente iniciamos as Aventuras na Real.

Acordamos às 9h e fomos tomar o café-da-manhã – mas, infelizmente, não havia pão de queijo… Visitamos rapidamente a cidade de diamantina. Vale um dia de visita! Cidade bonita, como as velhas cidades do interior. O Mercado Central está recuperado, assim como a Casa da Glória, com seu bonito passadiço azul. Atualmente, a casa é cuidada pela UFMG, abrigando um centro de pesquisas geológicas. O pequeno museu conta a história de sua antiga fundação. (Veja as fotos no post anterior)

Um pulo para fora da cidade, até o Caminho dos Escravos – leia-se “feito por” escravos, que levaram as milhares de pedras morro acima, para facilitar os deslocamentos dos tropeiros – compensa pela bela vista da Serra do Espinhaço (a única cordilheira brasileira e a sétima reserva da biosfera nacional, criada em 2005). Aliás, este nome – bela vista – é muito recorrente por aqui. E muito justamente.

Peguamos o Guia da Estrada Real no ponto de informações turísticas de Diamantina, com a Carla, uma estagiária subversiva simpática que ainda nos presenteou com 2 mapas (particulares) do caminho. Pois é! Não havia mapas e informações oficiais sobre a ER no local… Aliás, apesar de bem sinalizada, a ER ainda é um mistério para os locais. Parece que ninguém nunca mais passou por lá, desde os tempos do ouro e do diamante.

O destino do dia é Ouro Preto, ainda no estado de Minas Gerais. A tentativa é percorrer os pouco mais de 400 km desde Diamantina, passando por Milho Verde, Serro e Itabira.

Dia 2 – 26/12

No site de Roteiros Planilhados da Estrada Real é possível conseguir todos os trechos desta parte do caminho.

De volta a cidade, o rumo era Milho Verde, um vilarejo com histórias de hippies. O caminho, feito já completamente pela “off-road” Estrada Real, é muito bonito e intrigante. Se você está de jipe, é ótimo teste inicial. De carro de passeio, nem imagino… Não há posto de gasolina, e a estrada está ótima – se seu objetivo é curtir 60 km de boas trilhas de regularidade, com muitas curvas, subidas, mata-burros e pontes.

Há cachoeira em Milho Verde, mas não ficamos animados em parar. Além do clima estar frio e chuvoso, a cidade não pareceu assim tão “acolhedora”. Parecia um tão-somente ponto de passagem.

Veja os roteiros planilhados de Diamantina para São Gonçalo do Rio das Pedras (aqui) e de São Gonçalo do Rio das Pedras até Serro (aqui).

Chegando em Serro – onde são produzidos os ilustres desconhecidosQueijo do Serro” – fomos para Guanhães e abastecemos com a gasolina mais barata até agora: R$ 2,39 (em 26/12/09). Fica a dica!

Como estávamos, nesse trecho, sem as planilhas da Estrada Real, tivemos de continuar pela “BR” a partir de Guanhães, ou seja, pelo caminho de asfalto atualmente utilizado até Ouro Preto…

O rumo então foi a famosa Itabira, a “cidade da poesia” (ou, como na língua tupi, itá “pedra” e bira “que brilha”), terra do jovem Drummond. Há, inclusive, no Pico do Amor, cenário de sua poesia “Ausência”, um memorial feito por Niemeyer em sua homenagem, além de várias placas espalhadas pela cidade, com seus poemas.

Ausência

Subir ao Pico do Amor
e lá em cima
sentir presença de amor.

No Pico do Amor amor não está.
Reina serenidade de nuvens
sussurrando ao coração: Que importa?

Lá embaixo, talvez, amor está,
em lagoa decerto, em grota funda.
Ou? mais encoberto ainda, onde se refugiam
coisas que não são, e tremem de vir a ser.

Saindo de Itabira, já no fim da tarde, o rumo foi Ouro Preto. A estrada, agora de asfalto (e fora do trajeto “oficial” da ER), é bastante sinuosa e, nessa época do ano, não muito movimentada. A sinalização é ótima e o asfalto é novo, mas exige atenção nos milhares de trevos no meio do caminho. A dica é perguntar sempre – e somente – pela cidade seguinte mais próxima, que está geralmente a poucos quilômetros de distância.

Continue acompanhando (por RSS, email ou Twitter) o blog O Aventureiro. Amanhã escrevo mais sobre a chegada em Ouro Preto, os passeios que fizemos e o restante das Aventuras na Real

Serviço:

Roteiro: Diamantina; BR-367; Milho Verde; BR-259; Serro; Sabinópolis; Guanhães; BR-120; Sra. do Porto; Itabira; MG-129; Santa Bárbara; Catas Altas; Mariana; BR-356; Ouro Preto. (Exibir mapa ampliado)

Sobre Milho Verde: Está a cerca de 70 Km do centro de diamantina, seu acesso é por estrada de terra em condições não muito boas, mas o lugar compensa. No caminho tem-se um visual deslumbrante da região. Passa-se por uma cachoeira no caminho e também por dois outros vilarejos, o do Val e o de São Gonçalo do Rio das Pedras. Em Milho Verde há varias cachoeiras para se visitar, tem pousada e camping.

Distância estimada: 405 km (Diamantina até Milho Verde = 77 km; Milho Verde até Ouro Preto = 328 km).
Distância percorrida: 515 km.

Fotos:

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