Aventuras na real – parte 4
por Mateus em 18 Mar 10 às 15:25
Deixe seu comentário / Arquivado em: 4x4, Estrada Real, Relatos

Chegada em Congonhas, MG, Brasil
No último post, estávamos saindo de Ouro Preto em direção a Congonhas, “a cidade dos profetas“. Depois de alguma confusão para tomar o rumo certo, finalmente acertamos a estrada e chegamos em nosso destino por volta das 18h30.
Fomos direto para a Basílica do Bom Jesus do Matosinhos, é claro. Infelizmente, o Santuário (que compreende a Basílica e as capelas com as obras sobre a Via Crucis, esculpidas pelo mestre Aleijadinho e pintadas pelo mestre Ataíde) fecha, estranhamente, às 18h45… portanto, tínhamos 15 minutos para visitar o grande e bonito museu aberto.
A cidade de Congonhas é mundialmente conhecida exatamente por este “museu a céu aberto”. Tanto que foi declarada patrimônio histórico nacional já em 1939, e teve seu reconhecimento internacional em 1985, quando a UNESCO declarou o conjunto do Santuário como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Como o objetivo de passar por Congonhas, em direção a Tiradentes e São João Del Rei, era justamente conhecer os monumentos, resolvemos pernoitar na cidade. E foi uma noite bonita, pois além da Basílica, vale a pena conhecer o prédio ao lado, conhecido como Romaria. Todo ano, entre 7 e 14 de setembro, 5 milhões (isso mesmo!) de “romeiros” se encontram neste local. Bem…alguma coisa de especial deveria ter por ali, né?
Depois da interrupção abruta do passeio pelo segurança sem qualquer compaixão, fomos buscar hospedagem no hotel em frente à Basílica, na esperança de conhecê-la melhor no dia seguinte. Nome do hotel-restaurante: Cova do Daniel. Tudo aqui, aliás, é “profético”. O hotel é barulhento e simples, mas a Andréia, gentil gerente do hotel, nos cobrou “só” R$ 70,00 para dormir no quarto com vista para as montanhas! A vista para a Basílica é mais caro, claro! (mas recomendo a pechincha. A vista das montanhas é linda!)
Dia 04 – 28/12
No site de Roteiros Planilhados da Estrada Real é possível conseguir todos os trechos desta parte do caminho (entre Congonhas e São João Del Rei).
Ainda em Congonhas, acordamos às 8h30 com muito esforço, por conta da chuva que continuava a cair, depois de ter chovido toda a noite. Passeamos novamente pelas capelas, que agora estavam “abertas” (não espere chegar perto das obras. As portas da capela ficam fechadas e há somente uma grade – alta – que permite ver o interior, sem iluminação), para ver as obras do Aleijadinho.
Apesar da chuva, ainda havia alguns turistas no local. Algumas peças que não estavam na capela estão em restauração e umas poucas estavam realocadas no prédio anexo à Basílica – onde ficam as oferendas às graças obtidas pelos fiéis por intermédio do Bom Jesus de Matosinhos.
Ao sair de Congonhas, tomamos a BR-040 para Belo Horizonte (sim! todos os caminhos de Minas levam a BH!), na tentativa de encontrar um posto mais barato para encher o tanque antes de entrarmos na Estrada Real. A uns 12 km de Congonhas localizamos um posto que abastecia a R$ 2,46/l. (Mas essa parte do percurso não é, realmente, necessária, ok?)
Descrição do trecho da ER: Congonhas – Pequeri = 13 km = Entre Congonhas e Pequeri, predomina estrada larga e plana. A maior parte do trecho encontra-se em excelente estado de conservação e tem pouco movimento de carros. Alguns trechos são de matas fechadas. O viajante pode apreciar ao seu lado direito a belíssima Serra do Gambá, de 1.274 m de altitude. Chegando ao distrito de Alto Maranhão, é possível ver ruínas de uma antiga cadeia pública. Depois de mais 6 km, está o distrito de Pequeri. Veja o roteiro planilhado aqui.
Com o tanque cheio, voltamos e tentamos achar o marco da ER que inicia a trilha. Depois de várias tentativas frustradas até Pequeri, finalmente conseguimos entrar na ER e seguir a trilha. Mas a nossa felicidade durou somente 4 marcos, que levavam até a Fazendo do Neiva. O caseiro, Saulo, afirmou que nosso carro (e avisei que estávamos em um 4×4) não passaria no atoleiro, situado dentro da fazenda. O que fazer?
Descrição do trecho da ER: Pequeri – São Brás do Suaçuí = 9 km = Este trecho começa dentro de uma fazenda de livre acesso (a fazenda do Neiva – chamar pelo caseiro: Saulo). Na primeira parte, o percurso é feito em uma trilha de 2 km. Depois do km 3,4, o caminho é por um pasto, com difícil acesso para carros comuns, principalmente em épocas de chuva. O trecho termina em São Brás do Suaçuí, onde o viajante encontra construções do século XVIII, época da criação do povoado que originou a atual cidade. Uma curiosidade é a cachoeira em forma de escorregador que fica na Pedreira Oswaldo Marque Gontijo. É um convite para o banho em água corrente. Veja o roteiro planilhado aqui.
Depois de lermos a descrição do trecho, decidimos não arriscar. E seguimos pelo asfalto até São Brás do Suaçuí, a uns 5 km de Pequeri (sem ser pela ER). Nova tentativa frustrada de entrar na ER, pois a terra estava muito molhada e o risco de atolar – sozinhos – nos fez parar na primeira descida. Voltamos novamente ao “seguro” asfalto e fomos até Entre Rios de Minas.
Descrição do trecho da ER: São Brás do Suaçuí – Entre Rios de Minas = 19 km = O trecho é feito por asfalto até a empresa MRS. Depois dela, a estrada é de terra batida, com grande fluxo de carros da mineradora. A partir do km 3 o percurso muda completamente e passa a ter descidas longas, mas fáceis, com muito cascalho. No km 4,5, é necessário atenção para quem estiver de carro, porque corre-se o risco de atolar no terreno úmido (próximo a um curso d’água). O percurso é composto por algumas antigas fazendas coloniais e muitas plantações de milho. Na maior parte do percurso, a estrada está em bom estado de conservação, com muitos mata-burros, alguns até servindo de ponte. Ao longo do trecho, o viajante pode observar a paisagem da Serra do Gambá. A 12 km, no sentido Jeceaba, estão ruínas de uma antiga casa de padres, construção de 1701, atribuída a Fernão Dias. O percurso termina em Entre Rios de Minas. Em torno da capela de Nossa Senhora das Brotas, construída nos primeiros anos de ocupação da localidade, surgiu Brumado do Suaçuí, localizado nas terras limitadas pelos rios Camapuã e Brumado, que deu origem a cidade de Entre Rios de Minas, em 1843. Em Entre Rios de Minas, aconselhamos a ajuda de um guia local para conhecer as ruínas da Pedra do Gambá. Datada do sec. XVIII, está localizada no povoado de São José das Mercês, que fica a cerca de 12 km da sede do município. Veja o roteiro planilhado aqui.
Entramos novamente na ER, que se mostrou mais convidativa, apesar de ainda estar chuviscando. Seguimos, finalmente, uma planilha completa, até Casa Grande.
Ao contrário do que está descrito no site (veja a descrição abaixo) e na planilha, o trecho nos pareceu bastante difícil e arriscado, principalmente por estarmos sem outro carro de apoio… Mas está feito!
Descrição do trecho da ER: Entre Rios de Minas – Casa Grande = 31 km = A estrada do trecho é de fácil acesso, com poucas subidas e descidas íngremes. É quase toda em terra e com pouco cascalho. O percurso é marcado pela bela paisagem da Serra de Camapuã. No trajeto estão várias fazendas, mata-burros, plantações de milho e pequenas igrejas. Destaque entre elas é a capela de Nossa Senhora da Lapa de Olhos d´agua, cuja construção foi iniciada, provavelmente, no ano de 1683. Passou por um processo de restauração, concluído no final de 2009. Neste trecho existem dois pequenos vilarejos, Camapuã e Catauá, que podem ser pontos de apoio aos viajantes. O trecho termina na cidade de Casa Grande. Uma casa construída para abrigar as famílias dos bandeirantes que vieram para a região em busca de ouro dá origem ao nome da localidade. Veja o roteiro planilhado aqui.
Em Casa Grande, já por volta das 15h, decidimos tentar mais um trecho planilhado, até Lagoa Dourada. A planilha já indicava que só seria possível passar de carro até o km 28. E seguimos.
Dessa vez, com mais tranquilidade, até curtimos o trajeto e pudemos tirar algumas fotos. Cheios de barro, mas felizes, chegamos na “terra do rocambole“, Lagoa Dourada. Comemos, é claro, um rocambole (e pão-de-queijo com café!) no “Legítimo Rocambole”. Compramos também uma cachaça da Fazenda do Vau, por onde passamos no meio da trilha da ER (ahh, se eu soubesse…). Como já eram quase 17h e a chuva aumentava, optamos por fazer o restante do caminho até São João Del Rei por asfalto…
Descrição do trecho da ER: Casa Grande – Lagoa Dourada = 28 km = O trecho feito quase todo em estrada de terra, com exceção do km 26 ao 28, onde está um trilha estreita, que não passa carro. É composto por subidas e descidas leves. O final é em Lagoa Dourada, cidade conhecida nacionalmente como a terra do rocambole. Seu nome tem origem na descoberta do ouro em uma lagoa, por bandeirantes no século XVII. Alguns casarões dessa época ainda têm espaço nas ruas da cidade. Veja o roteiro planilhado aqui.
Continue acompanhando (por RSS, email ou Twitter) o blog O Aventureiro. Amanhã escrevo mais sobre a chegada em São João Del Rei, sobre os passeios que fizemos por lá e sobre o restante das Aventuras na Real…
Serviço:
Roteiro: Congonhas; Pequeri; São Brás do Suaçuí; Entre Rios de Minas; Casa Grande; Lagoa Dourada; São João Del Rei.
Distância estimada: 120 Km.
Distância percorrida: 171 Km.
Serviços e informações em Congonhas: aqui.
Hotel Colonial e Restaurante Cova do Daniel
Praça da Basílica, 76. Basílica – Congonhas, MG, Brasil.
+55 (31) 3731.1834
www.hotelcolonialcongonhas.com.br
O Legítimo Rocambole
Rua Miguel Youssef, 38. Centro – Lagoa Dourada, MG, Brasil.
+55 (32) 3363.1538
Não há um site oficial, mas vale conferir este e este.
Preço médio para 2 pessoas: R$ 8,00 (+ R$ 30,00 c/ cachaça Carta Real)
Fotos:
Posts Relacionados:
Aventuras na Real – parte 3
Aventuras na Real – parte 1
Aventuras na Real – parte 2
Como é longe o Fim do Mundo – parte 2
Depois das férias, aventura…
Tagged: aventura• Congonhas• off-road• Relatos• rocambole








