Praia Cassange, Marauai - Ba.  Foto de Tereza Pires

4 vezes Jeri – dia 4

por Mateus em 9 Aug 10 às 10:39

Number of Comments  2 Comentários / Arquivado em: Brasil, Ceará, Dicas, Jericoacoara, Relatos, Viagens

Último Por-do-Sol em Jeri

Último Por-do-Sol em Jeri

Este é o último relato da série sobre Jeri. No primeiro post, apresentei um panorama da região e da vila, além de um resumo das fotos da viagem. No segundo post, abordei a saída de Fortaleza, com dicas sobre como chegar em Jeri e com informações sobre pousadas e restaurantes. No terceiro post, que fala do segundo dia na vila, apresentei as praias da região, os locais que visitamos e os passeios normalmente oferecidos aos turistas. No penúltimo post, sobre a caminhada na praia do Preá, eu falei sobre este paraíso-na-Terra, com dicas sobre a noite de Jeri também.

Agora, falta comentar sobre o dia propriamente mais “aventureiro” e publicar as últimas fotos.

Às 9h a Vanessa (Bora Turismo) foi nos pegar na pousada Naquela Jericoacoara com o guia José. Um quadriciclo amarelo muito bacana. Não é preciso muita habilidade para manejar o veículo, mas é importante andar com um sapato fechado e ter um esparadrapo à mão. A mudança das marchas é feita por uma alavanca bem dura no pé esquerdo… Pra quem estiver na “carona”, pode ser bom usar uma calça. É que a carenagem costuma ficar bem quente ao longo do dia.

Depois da rápida aula de “direção”, tomamos a trilha para Mangue Seco, uma vilinha bem pequena a alguns quilômetros de Jeri. A surpresa agradável fica por conta do mangue que dá nome ao local. Há cerca de 40 anos ele secou, tomado pelas dunas que “mataram” os peixes e caranguejos. Só sobraram as árvores retorcidas com raízes aéreas, secas sobre a areia branca e fofa. De toda forma, é uma trilha muito bonita e peculiar. Já a vila não oferece muitos encantos… (e, antes que o leitor se confunda, é bom dizer que “esta” vila/praia de Mangue Seco não é a mesma Mangue Seco do romance Tieta do Agreste, que fica na divista entre Bahia e Sergipe). Próximo dali, na beira da praia, existe um atrativo turístico em que se pode ver cavalos-marinhos. Não fomos ao passeio, mas pra quem nunca viu um bichinho desses pode ser bacana ($10/pessoa).

Antes de chegar no local onde, há 30 anos, havia uma cidade, hoje chamada “Velha Tatajuba”, temos de atravessar o pequeno rio Guriú de balsa (R$ 10, ida e volta – pague só na volta!).

A cidade, então com umas 150 casas, foi sendo lentamente – em quase 15 anos – soterrada pelas dunas. Com o vento forte soprando constantemente e as altas dunas de areia solta e branca, as casas sumiram por debaixo dos grãos minúsculos. Há quem diga, inclusive, que as dunas também soterram, além de casas, da igreja e da escola, um navio inteiro. Dona Delmira, contadora oficial das histórias locais, avisa que a duna é “encantada”, e que de vez em quando ela até escuta umas músicas vindo daquela direção. Não deixe de pedir à vaidosa vendedora de cocos que conte a história desse lugar!

Dali seguimos o caminho até as Dunas Petrificadas, uma curiosa união entre as dunas e a maresia, que produz uma variedade incrível de formas, esculpidas pelo vento, no sal misturado com a areia. É um passeio que vale a pena, embora o sol seja forte e não haja nenhuma sombra no local. De qualquer maneira, é esse o caminho para a Lagoa da Torta, um ponto de parada para almoço. Tentando fugir do “roteiro padrão”, não queríamos ter almoçado por lá… mas foi inevitável. Com uma rede dentro das águas mansas, o local convida. E o calor faz o resto, exigindo uma parada para tomar uma água de coco e, finalmente, almoçar.

Ah, se quiser seguir até Camocim mesmo, lembre-se de pedir ao guia para abastecer seu quadriciclo. Com um tanque de 12l, o veículo não tem muita autonomia…

A trilha da floresta não é comumente “oferecida” aos viajantes. Mas é só mencionar o roteiro que o José, nosso guia, abre um sorriso no rosto. Logo entenderíamos porquê: uma trilha estreita, em que só passa um veículo – e mal cabe o quadriciclo, cercada de arbustos e árvores pequenas por toda a sua extensão, com algumas poucas casinhas de pescadores salpicando a paisagem. A saída já é próxima da Ilha do Amor, em Camocim, ponto final do roteiro – novamente deve-se atravessar o rio antes de se chegar à cidade. A volta, feita pela extensa praia de areia dura (na maré baixa) foi feita sem paradas. O quadriciclo, apesar de robusto, chega fácil à velocidades de 80 km/h nessas retas praianas.

De volta em Jeri, aproveitamos o último dia para curtir um por-do-sol na duna. Como o dia estava um pouco nublado, poucas pessoas seguiram a “procissão” até o cume. Assim, nem ficamos até o fim do “espetáculo” e, dessa vez, o Sol nem recebeu suas palmas tradicionais.

Último dia, dia de compras. Gastar aquele dinheirinho que sobrou, pechinchar descontos já com uma noção dos preços locais, e dar um último passeio. Nesse sentido, passamos na loja Conto de Fadas, cujo proprietário é um francês muito bacana e conversador. Viaja bastante pelo país e montou sua loja para apresentar ao turista de Jeri as peças que, às vezes, nem mesmos os brasileiros conhecem. Exemplo são colares e brincos de capim-dourado, vindos do Tocantins, e cristais vindos de Minas Gerais. Na loja Arte Jeri, pelo contrário, o preço é caro, o atendimento é ruim. Mas, como é na beira da praia, é muito procurada por turistas “sem tempo” para procurara as melhores opções da cidade.

Pra fechar o dia – e a aventura – em grande estilo, resolvemos ir ao Café Brasil, um pequeno café fincado num beco estreito e movimentado, entre a Rua Principal e a Rua São Francisco. Ficamos nas mesinhas minúsculas (e, portanto, românticas!) do lado de fora, quase na areia. A Sabrina, paulistana refugiada há 4 meses em Jeri, vale um dedo de prosa. Além de Bióloga por formação, já trabalhou com eventos e com o Cirque-du-Soleil. Para o paladar guardar a memória dos becos de Jeri, a noite estrelada foi acompanhada por um bom Penne ao pesto, que serve 2 pessoas (R$ 22) e Mate gelado feito no local (R$ 3).

Galeria de fotos do dia 4:


Serviço:

  • Bora Turismo: Rua Principal, s/n, ao lado do Mercado Carolina e do Restaurante Káfila, onde fica o orelhão.. Jericoacoara, CE. Fone: (88) 9910.0738 – Falar com Vanessa. Site: www.boraquadriciclo.com.br
  • Pousada Naquela Jericoacoara: Rua do Forró 655, a 350 m da praia. Fone: (88) 3669.2111 / (85) 8706.6362. Site: www.naquelajericoacoara.com
  • Loja Conto de Fadas: Rua principal, s/n. Jericoacoara, CE.
  • Loja Arte Jeri: Beira-mar e Rua Principal, 0. Jericoacoara, CE. Fone: (88) 3603.1601. Email: jeriartebranca@yahoo.com.br
  • Café Brasil: Beco do Guaxélo, 65 A. Jericoacoara, CE. Procure pela Sabrina. Email: cafebrasiljeri@hotmail.com

Tá com dúvida sobre os endereços? Veja o mapa da área do Parque Nacional de Jericoacoara e oriente-se!

These icons link to social bookmarking sites where readers can share and discover new web pages.
  • TwitThis
  • Facebook
  • Digg
  • del.icio.us
  • Reddit
  • Google Bookmarks
  • Print
  • email

Posts Relacionados:
4 vezes Jeri – dia 2
4 vezes Jeri – dia 3
Na terra do “Jacaré quarando ao sol”
Nos arredores “chéveres” de Caracas
Aventuras na Real – parte 3

Tagged:

  1. MARUSKA
    1:18 pm on August 12th, 2010

    ola, tudo bem?
    estou pesquisando sobre viagem ao xingu…e vi que voce ja fez uma viagem para la bem no estilo que preciso fazer…mas n encontrei nenhuma agencia de viagem que possa me auxiliar e fazer esse roteiro..
    como foi q vc fez? sera q vc pode me dar dicas por email? preciso ir urgente;
    obrigada
    maruska gemelli

  2. Para quem mais possa se interessar pelo assunto, segue o comentário da Renata:

    Olá Maruska,

    Realmente, não existem agências de viagem que tenham o Xingu como destino pois o acesso à Reserva Indígena é mediado pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio, liagada ao Ministério da Justiça).

    O que você pode fazer, que foi meu caso, é entrar em contato com a própria população indígenas para ela mesma te dizer quando você poderia ir e ser recebida. Como não há rede hoteleira, você necessariamente precisa ficar na casa (oca) de alguém.

    Vou te dar o e-mail do Maricá (filho do cacique Tabata, da etnia Yawalapiti ) e ele mesmo pode tirar suas dúvidas em relação a uma possível ida para a aldeia.
    Segue: karibster@gmail.com

    Abraços,
    Renata

 
Loading
Close This Box

Entre com seu endereço de email:

Últimos Posts:

Tuites da semana
11 Dec 11 às 01:58

Tuites da semana
13 Nov 11 às 01:58

Tuites da semana
6 Nov 11 às 01:58

Colombia “a la orden” – dia 1
31 Oct 11 às 10:30

O país com mais barcos no mundo
30 Oct 11 às 18:13

Séries Especiais

Inverno 2009
Aventuras na neve

Volvo Ocean Race 2008-2009
A regata e sua passagem pelo Brasil

Luiz Log: entre os alpes e a savana
As viagens de Luiz Gustavo pela Suiça e África

  • Veja mais fotos no Flickr

    Equipe do Blog



  • Diogo André


    Email | Twitter

    Mateus Fernandes


    Email | Twitter
  • Tags