por Mateus em 27 Aug 10 às 19:57
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Há 2 anos fui fisgado por um desejo incomunicável de chegar até a Venezuela. Desde de então, muitos caminhos foram traçados e muitos desejos foram perdidos. O sentimento – muito mudado – deu lugar a uma passagem de avião na entre-safra de um congresso acadêmico em Recife e de um curso da SBDG em São Paulo. Para parecer mais defensável, criei barricadas de objetivos e de promessas: iria conhecer o “socialismo do século XXI” proposto por Chávez.
Entre um contato e outro, feitos ao longo de anos, resolvi me abandonar à sorte de ir sem planos, sem expectativas; sem apego e sem aversão. Uma viagem búdica, certamente, mas que se pretendia exploradora só do mundo exterior. Ledo engano das planilhas e das anotações… Se uma viagem não é motivo para rupturas, e muito menos para nos dar prazer – e Beckett já gozou desses tipos dizendo que “somos idiotas, mas não ao ponto de viajar por prazer” -, então o que era mesmo que eu estava procurando?
Transcrevi num outro blog a seguinte passagem:
Há uma bela frase de Proust que pergunta o que fazemos quando viajamos. Sempre verificamos algo. Verificamos se aquela cor com que sonhamos está ali. Mas ele acrescenta algo muito importante: “Um mau sonhador é aquele que não vai ver se a cor com a qual sonhou está lá. Mas um bom sonhador vai verificar, ver se a cor está lá”. DELEUZE, Abecedário. p. 104-106. (Veja aqui o texto completo)
E aí está… Sonhava saber de que cor era o mar venezuelano. Sonhava sentir o cheiro das arepas preparadas logo de manhã e acompanhadas de um café aromático. Sonhava notar as nuances das mesclas criollas. Sonhava conhecer o que é essa América Latina de que tantos falam e que tão poucos conhecem e – menos ainda – apreciam de fato. Fui verificar o que era de “meu” que estava do lado de lá da fronteira.
No primeiro post, descrevi minhas andanças pelo centro da capital venezuelana. No segundo, ainda em Caracas, resolvi conhecer outros lugares, com outras gentes. Não estaria mais sozinho. Minha “verificação” agora estava comprometida pelo constante desejo de “compartilhar a visão”, de falar sobre os lugares. Mas, inevitavelmente, “as palavras erotizam o lugar” – como me ensinou, há muito tempo, uma amiga que havia partido para a Tailândia e que teimava em não me contar sobre sua viagem. E, por vezes, somente o silêncio podia dar vazão ao que se via, ao que se sentia, ao que se respirava, ao que se pretendia.
Agora, pra encerrar essa trilogia de relatos, me resta contar sobre os “arredores” de Caracas: a praia de Cata; as cidades de Maracay e Los Teques; as vilas de Choroní (com sua Praia Grande) e Chuao, no Parque Nacional Henri Pittier; a praia do Cepe e do Valle Seco; e, finalmente, a Colônia Tovar. Como um estrangeiro que deve tocar suavemente a terra alheia, fui tateando aos poucos a pele que recobre este país, pra daí ampliar vertiginosamente meu contato carnal, sendo levado pelas montanhas escarpadas. Toquei as curvas e senti a malemolência dessas serras esfumaçadas, como você pode conferir na Playlist sugerida. E senti calor e senti frio; vi a chuva e vi o verão. Vi carros se cruzando sobre o abismo e vi praias de areia branca bem na frente da minha barraca. Percebi o quão pouco é necessário para se estar feliz, ainda que muito seja necessário para poder perceber isso… Leia Mais »
por Mateus em 9 Aug 10 às 10:39
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Último Por-do-Sol em Jeri
Este é o último relato da série sobre Jeri. No primeiro post, apresentei um panorama da região e da vila, além de um resumo das fotos da viagem. No segundo post, abordei a saída de Fortaleza, com dicas sobre como chegar em Jeri e com informações sobre pousadas e restaurantes. No terceiro post, que fala do segundo dia na vila, apresentei as praias da região, os locais que visitamos e os passeios normalmente oferecidos aos turistas. No penúltimo post, sobre a caminhada na praia do Preá, eu falei sobre este paraíso-na-Terra, com dicas sobre a noite de Jeri também.
Agora, falta comentar sobre o dia propriamente mais “aventureiro” e publicar as últimas fotos.
Às 9h a Vanessa (Bora Turismo) foi nos pegar na pousada Naquela Jericoacoara com o guia José. Um quadriciclo amarelo muito bacana. Não é preciso muita habilidade para manejar o veículo, mas é importante andar com um sapato fechado e ter um esparadrapo à mão. A mudança das marchas é feita por uma alavanca bem dura no pé esquerdo… Pra quem estiver na “carona”, pode ser bom usar uma calça. É que a carenagem costuma ficar bem quente ao longo do dia.
Depois da rápida aula de “direção”, tomamos a trilha para Mangue Seco, uma vilinha bem pequena a alguns quilômetros de Jeri. Leia Mais »
por Mateus em 5 Aug 10 às 10:30
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Vista área de Jeri, do Preá e das Lagoas do Paraíso e Azul
Jericoacoara é uma pequena vila com menos de 3.000 habitantes, encravada no meio de um Parque Nacional, distante quase 300 km de Fortaleza e a pelo menos 15 km da estrada de asfalto mais próxima. Com toda essa pinta de paraíso-perdido-na-Terra, há também muita coisa para se conhecer próximo a Jeri. A Praia do Preá é uma das melhores.
Dizem os “nativos” que a Praia do Preá está hoje como costumava ser Jeri há 15 anos: pequena, linda e selvagem. Quase virgem. O “problema” é que logo, logo ela vai deixar de ser assim. Além de estar fora dos limites do Parque Nacional (na verdade, a praia do Preá ocupa cerca de 33 % do território do Parque Nacional ), estão construindo um aeroporto na cidade e estão asfaltando as vias de acesso desde Jijoca. Quer ver o restante do relato e a galeria de fotos? Leia Mais »
por Mateus em 4 Aug 10 às 10:42
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Galeria do dia 2:
Há quem queira viajar para Jeri para descansar. Mas também há quem não consiga descansar em Jeri, por conta das inúmeras atividades que só vamos encontrar ali…
Assim, já no segundo dia estávamos esgotados. Uma boa noite de sono não foi suficiente. Com a desculpa de “aproveitar a pousada”, passamos a manhã toda “quarando” – ora no quarto, ora no redário. Leia Mais »
por Mateus em 2 Aug 10 às 17:46
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Do Jegue ao Bugue
A primeira vez que estive em Jericoacoara – que dizem ser a tradução do tupi para “Jacaré quarando (estirado) ao Sol” (mas que, na verdade, quer dizer “toca das tartarugas”) – foi lá nos idos de 1996. De lá pra cá a cidade ganhou umas 210 pousadas – na época eram somente umas 3 – e luz elétrica (desde 1998), além de uns 1.300 moradores “estrangeiros”. Atualmente, são somente 1.500 moradores “nativos”, de um total de quase 3.000 pessoas residindo na área do Parque Nacional de Jericoacoara.
A infraestrutura da cidade não deixa a dever em nada, mesmo para os turistas mais exigentes: há todo o tipo de comida (de árabe a japonesa, passando pela nordestina e pela cozinha internacional); há diversas opções de pousadas (que variam de R$ 25 a R$ 800/dia, podendo chegar aos R$ 10 mil reais por um “pacote” de 3 dias no Reveión); há algumas operadoras de turismo e empresas que oferecem “passeios” (de bugue, a cavalo, de jipe, de quadriciclo e à pé), além de muitos locais e escolas para a prática de esportes “radicais” (windsurf, kitesurf, caiaque, sandboard).
Assim, mesmo hoje em dia, Jeri – como é chamada pelos “íntimos” – é um prato cheio para a aventura (ou mesmo para uma boa semana de repouso). Em 4 dias dá pra ter uma boa noção da vida na cidade e, com as dicas que iremos publicar em 4 posts, dá pra conhecer muitos lugares incríveis e muita gente bacana. Acompanhe os relatos…
Quer dar uma “petiscada” na aventura? Veja as fotos:
* A viagem foi “particular” – o que significa que ninguém convidou ou subsidiou a equipe de O Aventureiro em seus roteiros. Portanto, todas as menções a empresas, pousadas, restaurantes e guias serão feitas de modo isento, devendo somente ao gosto do editor destes posts. Os valores, entretanto, poderão sofrer reajustes e não nos responsabilizamos por alterações em contatos e preços. Siga as dicas no seu exercício de liberdade!